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Classe II na Dentição Decídua e Mista: Como Diagnosticar Antes de Tratar

Classe II não começa no aparelho. Começa no diagnóstico. Quando falamos em Classe II na infância, a primeira pergunta não é “qual aparelho usar”. A pergunta correta é: Estamos diante de uma Classe II dentária ou esquelética? Sem essa resposta, qualquer intervenção pode ser precipitada. Na Orthopedlearning, o diagnóstico antero-posterior é estruturado em etapas clínicas claras — aplicáveis na cadeira, antes mesmo da documentação.

Vamos então começar entendendo o diagnóstico da relação dentária na dentição decídua e mista.

O que avaliar primeiro na dentição decídua?

Na ausência do primeiro molar permanente erupcionado, a classificação de Angle não pode ser usada diretamente. Então, qual é a referência?

🔹 Relação entre os caninos decíduos Essa é a leitura clínica mais confiável na infância. Se o canino superior:

  • Oclui no espaço primata inferior → tendência Classe I
  • Está anteriorizado (topo ou além) → tendência Classe II
  • Está posteriorizado → tendência Classe III A relação canina expressa a relação entre as bases ósseas. E é muito mais fácil de visualizar clinicamente do que a distal do segundo molar decíduo.

E os segundos molares decíduos?

Eles ajudam a prever o que acontecerá na dentição permanente. Temos três situações:

🔹 Plano terminal reto,  pode evoluir para:

  • Classe I ou Classe II
  • e a pergunta é: qual o fator decisivo para o Plano terminal reto se transformar em Classe I ou classe II na dentição permanente?
  • Largura da maxila. Maxila estreita mantém Classe II. Maxila adequada favorece Classe I. Aqui entra o raciocínio transversal para fazer essa correlação, ou seja, maxilas estreitas mantém a mandíbula retroposicionada, enquanto maxilas amplas permitem melhor posicionamento mandibular no sentido ântero-posterior.

🔹 Degrau distal Grande probabilidade de Classe II permanente. Se associado a relação canina Classe II, o tratamento interceptivo deve ser considerado com critério.

🔹 Degrau mesial Pode evoluir para Classe I ou Classe III. Se houver relação canina Classe III associada, a investigação esquelética é obrigatória.

Quando tratar a Classe II na infância?

Essa é a pergunta crítica. Nem toda Classe II deve ser tratada imediatamente. Então quando tratar?

  • Existe discrepância esquelética evidente?
  • Há impacto funcional (interposição labial, alteração no padrão respiratório…)?
  • Há risco de trauma em incisivos (overjet acentuado)?
  • Existe atresia associada? Para avaliar esse critério recomenda-se encaixar os caninos em relação de Classe I e assim avaliar a relação transversa.

 

A relação de Classe II não se autocorrigirá. O erro mais comum é tratar apenas a posição dentária e não a relação esquelética.

Em pacientes Classe II, é importante:

✔ Solicitar avanço mandibular

✔ Avaliar relação transversal nessa posição

✔ Identificar atresia oculta Muitas “Classe II puras” revelam deficiência transversal quando a mandíbula é posicionada corretamente.

O que define o prognóstico? Três fatores:

  1. Relação canina
  2. Tipo de plano terminal
  3. Largura maxilar

Sem avaliar esses três pontos, o planejamento fica incompleto.

Conclusão Classe II na infância não é diagnóstico automático. É construção clínica. Antes de pensar em aparelho funcional, pense:

  • Essa relação é dentária ou esquelética?
  • Existe componente transversal?
  • O plano terminal favorece autocorreção? Diagnóstico é o verdadeiro tratamento precoce.

Juliana Pereira Andriani

Juliana Pereira Andriani

Especialista em Ortodontia e Ortopedia dos Maxilares – UFSC
Mestre em Ortodontia – UFSC
Doutoranda em Odontologia – UFSC
Ortodontista clínica – Integre Odontologia – Florianopólis
Profa. Ortodontia e Ortopedia – ABCD/Florianopólis
Profa. Ortodontia e Ortopedia Academia da Odontologia
Founder Academia da Odontologia